Capítulo 27

Capítulo 27

Anteriormente em Vendetta...

Beatriz e Cristiano depõem sobre a morte de Catarina, Mirtes diz para Martins que Eleonora não bate bem da cabeça e que não vai com a cara de Beatriz, Álvaro revela para Eleonora que é ex namorado de Catarina e que passará a atormentá-la pela morte da amada, Marcelo contrata o detetive Novaes, Sandro descobre as câmeras e tenta tirá-las, Henrique conversa com Novaes que diz que não sabe nada sobre Melisa, Novaes vai até o cartório e descobre que Natacha não existe.

CENA 1. CARTÓRIO DE REGISTROS CÍVIS. INTERIOR. DIA

Novaes pega a folha e uma caneta e circula o nome de Natacha.

NOVAES - Obrigado, você com certeza foi muito útil.

Novaes sai.

CENA 2. FLAT. SUÍTE DE NATACHA. INTERIOR. DIA

A campainha de Natacha toca, ela atende Novaes. Mário está escondido no banheiro.

NATACHA - Olá, seu Novaes, entra. Perdão, mas de onde o senhor me conhece?

NOVAES - Eu sou um antigo amigo seu Natacha, não lembra dos tempos de faculdade de...

NATACHA - De...

NOVAES - Sociologia.

NATACHA - Que faculdade?

NOVAES - Como assim que faculdade? A de sociologia pra você se tornar professora.

NATACHA - (Intrigada) Ah, lembro.

Natacha ouve um barulho vindo do banheiro.

NATACHA - Bom, bom, Novaes eu... Eu vou usar o banheiro, já volto.

Natacha entra no banheiro, enquanto Novaes passa a revirar a casa, até que encontra o notebook de Natacha.

NOVAES - Agora eu descubro qualé dessa vadia.

Ele pega o notebook e abre rapidamente. Ele encontra 2 arquivos em vídeo escrito "arquivo editado" e "arquivo não editado", primeiro ele abre "arquivo não editado", o programa do computador começa a executar o vídeo, aparece no vídeo:

"NATACHA - A Bia terminou com o Cristiano por armação.

BEATRIZ - Sim, ela se embebedou e eu tive que dar um calmante pra ela.

NATACHA - Que barra!

ESPERANÇA - Mas Natacha... Você tem certeza que quer se expor assim?

NATACHA - Quem vai se expor é o Marcelo... A gente combinou que eu mau vou aparecer no vídeo. (Rindo) Imagina a cara do Marcelo amanhã quando ver isso... Ele vai querer morrer!

ESPERANÇA - Não, ele vai querer matar quem fez isso!

A campainha toca.

NATACHA - (Sussurando) Se esconde! É agora que o show vai começar!

Esperança corre para o banheiro e entra dentro, ela tira a furadeira pelos quais fez frestas na parede e vigia tudo. Natacha vai até a porte e abre para Marcelo.

MARCELO - Amor, cheguei.

Natacha começa a beijá-lo.

NATACHA - Tá com fogo hoje em Nati!"

Nesse instante Natacha sai, e se depara com Novaes.

NATACHA - O que tá acontecendo?

NOVAES - Esse foi um dos casos mais fáceis de resolver da minha vida! Em menos de 3 horas. O Marcelo me colocou pra descobrir quem era a cadela que tava tentando ferrar ele, ele me passou uma lista de pessoas e eu fui no cartório e sabe o que eu descobri lá? Que você não existe, você é uma farsa!

Neste momento Mário sai do banheiro.

NOVAES - E além de tudo você ainda tem a cara dura de chifar o Marcelo! Qual é a tua? Quem é você?

Natacha e Mário se olham assustados.

CENA 3. DELEGACIA/ SALA DO DELEGADO. INTERIOR. DIA

Mirtes entra furiosa na sala de Martins.

MIRTES - Droga! Será que o assassino da Catarina não deixou sequer um furo? Eu fui na operadora e o chip foi um chip descartável, a única ligação dele foi feita pra chamar a Catarina até lá, logo após a droga daquele chip foi destruído.

MARTINS - A gente tem que pegar esse assassino! Ou ele pode continuar matando.

MIRTES - Pra mim é assassina, ou a Beatriz ou a Eleonora, uma das duas é a bandida da história.

MARTINS - Eu aposto na Eleonora.

MIRTES - Eu aposto nas duas. Mas a gente vai provar quem é a verdadeira bandida!

CENA 4. FLAT/ SUÍTE DE NATACHA. INTERIOR. DIA

NOVAES - Eu vou correndo contar pro Marcelo que você é a vagaba que tá querendo ferrar ele, se prepare!

Novaes vira-se para ir embora, Natacha rapidamente tira uma arma da escrivaninha e encosta na cabeça de Novaes. Mário fica chocado.

NATACHA - Se você der mais um passo você vai é pra debaixo da terra.

CENA 5. CASA DE OLAVO/ SALA DE ESTAR. INTERIOR. DIA

Sandro desce de uma cadeira, sorridente.

SANDRO - Terminei com isso! Agora eu quero ver aquele viado espionar a gente!

Henrique entra na casa.

HENRIQUE - Fazendo o que traste?

SANDRO - Nada Henrique.

HENRIQUE - Já falei que é SENHOR HENRIQUE pra você, ouviu? Agora repete comigo: SENHOR HENRIQUE!

SANDRO - Senhor Henrique.

HENRIQUE - Sandro, sua vida tá muito fácil, só sendo meu empregadinho aqui e você não tá aprendendo a ser gente, tá continuando a ser a mesma merda que você é, por isso a partir de hoje você é voluntário como faxineiro numa instituição de ajuda à homossexuais que sofrem homofobia, você vai aprender a ser gente de novo Sandro.

SANDRO - Não Henrique, quer dizer senhor Henrique, por favor não, eu não quero trabalhar pra um bando de viado!

Henrique dá uma joelhada entre as pernas de Sandro que cai de joelhos gemendo de dor. Henrique agarra Sandro pelo cabelo.

HENRIQUE - Eu já disse que não é viado, é homossexual e ai de você se referir a algum homossexual no pejorativo você vai ver, ouviu?

SANDRO - Me solta! Anda!

HENRIQUE - Você ouviu?

SANDRO - Ouvi... Ouvi, me solta.

HENRIQUE - Bom mesmo. Você vai começar agora, anda logo que tá atrasado e é melhor tratá-los com o maior respeito do mundo, coisa que você não fez com seu filho.

Henrique sobe as escadas e desce com um uniforme rosa.

SANDRO - Uniforme rosa?

HENRIQUE - Mandei preparar especialmente pra você, e virando aqui atrás tem uma mensagem. "Sou um homofóbico que estou aqui porque um gay me obrigou pra mim passar fome, em qualquer coisa que eu puder ajudar me chame, terei prazer em servi-lo".

Sandro quase desmaia ao ler. Sandro se ajoelha aos pés de Henrique e começa a chorar.

SANDRO - Por favor, não faz isso comigo Henrique, por tudo que há de mais sagrado.

HENRIQUE - Para de choramingar traste, suas lágrimas estão sujando o chão. Agora veste logo o uniforme e vamos, eu vou te dar uma carona, mas na volta você volta de ônibus.

SANDRO - Para de humilhar, chega!

HENRIQUE - FAZ LOGO O QUE EU TO MANDANDO!

Sandro sobe, minutos depois desce com o uniforme com uma cara de pena.

HENRIQUE - (Ironico) Linda. Agora vamos.

Sandro e Henrique saem, Sandro está arrassado.

CENA 6. ONG. CORREDOR. INTERIOR. DIA

Sandro está limpando no chão da ONG com uma má vontade enorme. Ele entra numa sala de reuniões para limpá-la, lá há uma reunião. Um homem está com sua cadeira no centro do circulo, o tal homem encontra-se bastante machucado e com ferimentos.

HOMEM - Bom, eu sofro homofobia desde os meus 15 anos, quando descobriram que eu era gay, eu estava tendo um namoro com o meu primo, certa vez as pessoas eu achava meus amigos chegaram na minha casa de surpresa, foram para o meu quarto e pegaram e o meu primo juntos, a partir daquele momento minha vida virou um tormento... Começaram a me perseguir na escola, me chamarem de viado, baitola e outros nomes bem piores que isso (lacrimejando) me batiam, me humilhavam, até os próprios funcionários da escola olhavam estranhos pra mim. Eu cresci, fiz faculdade o mesmo preconceito, quando eu ia arrumar um emprego nunca me contratavam, inventavam uma desculpa, mas eu sabia, estava no olhar: porque eu sou gay.

Sandro continua limpando ouvindo tudo.

CENA 7. FLAT/ SUÍTE DE NATACHA. INTERIOR. DIA

NOVAES - Calma Natacha, não faz nada que você possa se arrepender depois, as câmeras de segurança viram eu chegando aqui.

NATACHA - Senta, que agora você vai me ouvir.

Natacha entrega a arma a Mário.

NATACHA - (Reparando em Mário com a arma) Até que pra quem nunca pegou numa arma você empunha bem.

MÁRIO - Claro, numa situação de perigo qualquer um aprende rapidinho como mexer com uma arma.

NATACHA - Agora você vai saber os meus motivos pra fazer tudo o que eu fiz.

MÁRIO - Tem certeza Natacha disso?

NATACHA - Eu não tenho opção.

Natacha e Novaes se sentam.

NATACHA - Então Novaes, tudo começou a seis anos atrás...

CENA 8. CASA DOS MARCONDES/ SALA DE ESTAR. INTERIOR. DIA

Beatriz está na sala de estar conversando com Dr. Luciano, Cristiano e Esperança estão ao redor.

DR. LUCIANO - Beatriz, o seu julgamento se aproxima e precisamos de uma excelente defesa. Primeiro, vamos começar eu quero que você relembre tudo o que aconteceu naquela noite.

BEATRIZ - Minha prima chegou no restaurante, eu havia recebido, íamos jantar. Eu fui chamar o garçon, quando o Sílvio entrou.

Beatriz se lembra:

Beatriz chama o garçon, o garçon está indo até a mesa, do nada, um assaltante armado invade o restaurante. Alcides, que estava saindo da cozinha, assim como outros funcionários ficam lá mesmo, nervosos, Alcides fica espiando tudo pela cozinha extremamente nervoso. Todos no salão se assustam.
BEATRIZ - Ah meu Deus, o que é isso?
ESPERANÇA - Um assalto!
O assaltante levanta a arma para o alto.
ASSALTANTE - É o seguinte pessoal, isso aqui é um assalto!

BEATRIZ - E daí ele começou a saquear todo mundo, ele até ameaçou matar um pai de família, ele foi ao caixa, rendeu o Mário pra que o Mário desse todo o dinheiro.

Beatriz se lembra:

O assaltante pega abre a caixa registradora e pega todo o dinheiro da caixa e põe na mochila que usa para praticar o assalto. O assaltante deixa a caixa registradora vazia. Mário fica em choque, sem poder fazer nada.
MÁRIO - Por favor, não faça nada de mal a ninguém aqui, pode levar qualquer o que quiser, mas deixe a gente em paz.
ASSALTANTE - Nada disso doutor Mário.
MÁRIO - Como sabe meu nome?
O assaltante se afasta e aponta a pistola para Mário, o assaltante engatilha a pistola, preparado para atirar em Mário, todos ficam extremamente tensos.

BEATRIZ - A Esperança tomou a arma do Sílvio e jogou pra mim, eu fiquei desesperada, aflita. Então o assaltante pegou um canivete e apontou pra Esperança, eu peguei a arma e atirei contra ele.

Beatriz se lembra:

Esperança sai debaixo da mesa e avança em cima do assaltante. Os dois entram em luta corporal. Beatriz sai debaixo da mesa e se afasta.
ASSALTANTE - Larga essa arma!
ESPERANÇA - Não cara! Solta essa arma e vai embora!
Alcides fica tenso.
ALCIDES - Solta essa arma Esperança!
Esperança toma a arma do assaltante e se joga no chão, o assaltante se aproxima para pegar a pistola.
ESPERANÇA - Não!
Esperança joga a arma para Beatriz pelo chão. Beatriz continua tensa.
ESPERANÇA - Pega a arma!
ASSALTANTE - Você me paga!
O assaltante desfere um tapa no rosto de Esperança que se levanta assim como o assaltante. O assaltante tira um canivete do bolso e aponta para Esperança.
ASSALTANTE - Agora você vai ver!
Beatriz fica extremamente nervosa, assim como todos, mas Beatriz fica mais tensa.
BEATRIZ - (Gritando) Solta a minha prima e deixa o meu chefe em paz!

Beatriz desfere dois tiros no peito do assaltante que cai morto no chão.

DR. LUCIANO - Eles te perguntaram na delegacia porque você disparou mais de um tiro?

BEATRIZ - Sim e eu respondi que fiquei sem ação, com medo de não o ter atingido e dele matar minha prima.

DR. LUCIANO - Eles jogaram verde com você e você caiu bonitinho! Você podia disparar quantas vezes quiser estando numa situação de perigo como aquela.

CENA 9. FLAT/ SUÍTE DE NATACHA. INTERIOR. DIA

NATACHA - (Lacrimejando) Então você entendeu os meus motivos?

NOVAES - Sim, pode deixar eu não vou falar nada pro Marcelo, eu vou enrolar ele com a investigação

NATACHA - Já sei, você pode dizer pra ele que um cara fez isso a mando de alguém na Argentina. E que o tal cara que tá executando as ordens fugiu.

NOVAES - Ok, futuramente eu direi isso à ele. Pode deixar, seu passado tá seguro comigo. Mas é bom que tudo isso seja verdade, senão eu conto pra ele.

NATACHA - Por tudo que há de mais sagrado, eu juro que é verdade!

Novaes abraça Natacha.

Música: Total Eclipse of The Heart - Bonnie Tyler

MÁRIO - Que bom que você entendeu tudo, esperamos pode contar com a sua palavra.

NOVAES - Eu tenho palavra, pode deixar, se depender de mim o Marcelo nunca vai saber quem é que tá tentando destruí-lo.

CENA 10. STOCK-SHOTS. EXTERIOR. DIA/ TARDE

A música continua tocando.

O dia vai embora e dá lugar a uma tarde nublada que segue seu ritmo normalmente.

CENA 11. CASA DE OLAVO/ SALA DE ESTAR. INTERIOR. TARDE

Sandro entra em casa furioso. Henrique está no sofá cochilando.

HENRIQUE - E aí Sandro, como foi seu dia de voluntário?

SANDRO - Como você acha que foi?

HENRIQUE - Não sei, mas eu acho que amanhã melhor ainda, pois se hoje seu turno foi das 10 da manhã às 4 da tarde, amanhã será das 9 da manhã até as 7 da noite. E o esquema é o mesmo de sempre. Ah, e bom que você chegou a casa tá bem suja, eu quero que você limpe de cima a baixo!

SANDRO - A casa tá um brinco Henrique!

Henrique sai da casa e volta com um pequeno balde cheio de barro, ele joga nas paredes, no chão, em tudo quanto é lugar. Sandro observa tudo perplexo.

HENRIQUE - Tá vendo como tá? E você tem meia hora pra limpar isso de cima a baixo, senão hoje você vai dormir com fome.

Sandro fica perplexo, Henrique desliga a televisão e sobe as escadas.

CENA 12. CASA DOS MARCONDES/ SALA DE ESTAR. INTERIOR. TARDE

Beatriz e Cristiano estão na sala de estar assistindo televisão.

CRISTIANO - Bia eu vou indo de volta pra casa tá, a gente se vê amanhã ok?

BEATRIZ - Espera, eu te levo.

CRISTIANO - Ok.

Cristiano e Beatriz saem. Logo em seguida Esperança sai de seu quarto com uma bolsa e sai também.

CENA 13. RUA. EXTERIOR. TARDE

Beatriz está na rua andando de carro, até que ela vê Esperança entrando no flat de Natacha.

BEATRIZ - (Pensamento) Ah, vou aproveitar que to aqui e fazer uma visitinha a prof.

Beatriz estaciona o carro e entra no flat.

CENA 14. FLAT/ SUÍTE DE NATACHA. INTERIOR. TARDE

Natacha e Mário estão juntos no flat, até que a campainha toca, eles atendem Esperança.

NATACHA - Oi amiga, tudo bem?

ESPERANÇA - Tudo sim, oi Mário.

MÁRIO - Oi.

NATACHA - Esperança, você não acredita o que aconteceu hoje.

Neste instante Beatriz encosta na porta.

NATACHA - Um detetive do Marcelo veio aqui e descobriu que sou eu que to querendo ferrar o Marcelo.

ESPERANÇA - Nossa! E você fez o quê?

NATACHA - Eu tive que abrir o meu passado inteirinho pra ele desistir de me entregar pro Marcelo e graças a Deus deu certo, eu tive que contar pra ele que eu sou Olívia Mercedes, a prima do Marcelo que tá tentando se vingar dele pelo que ele fez.

Beatriz fica pasma. Ela aperta a campainha.

NATACHA - Vou atender.

Natacha abre e se depara com Beatriz pasma.

NATACHA - Beatriz!?

BEATRIZ - Então você é a Olívia Mercedes! E você, Esperança, Mário, envolvidos nisso? O que tá acontecendo aqui?

NATACHA - Eu posso explicar.

BEATRIZ - Você assumiu outra identidade, virou uma bandida, pra se vingar do seu primo! Uma das minhas melhores amigas de infância é uma bandida!

NATACHA - Me deixa explicar Beatriz...

Natacha, Mário e Esperança se entreolham tensos.

BEATRIZ - Anda, eu estou esperando.

NATACHA - Chegou a hora de você, minha amiga saber o que aconteceu comigo esses anos todos, chegou a hora da verdade sobre mim e o Marcelo vir à tona.

 

A cena congela em efeitos avermelhados nos rostos de Esperança, Mário e Natacha se entreolhando totalmente assustados.

https://www.youtube.com/watch?v=x_UL-Ud5MPo

 

CONTINUA NO PRÓXIMO CAPÍTULO